Coluna do José Roberto

análises e comentários sobre temas da atualidade e sobre filosofia contemporânea por José Roberto Ramos Sanchez

30.10.07

Princípio Responsabilidade Hans Jonas Parte 1

“Podemos arriscar a nossa vida mas não a da humanidade"

 

Aluno de Heidegger e Bultmann, amigo e colega de Hannah Arendt na New School for Social Research, Hans Jonas (1903-1993) foi um dos proeminentes pensadores da sua geração devido à convicção da inseparabilidade de ética e metafísica, e da realidade dos valores no centro do ser. Seu livro “Principio da responsabilidade” (The Imperative of Responsibility: In Search of Ethics for the Technological Age) publicado em 1979 já antecipava um tema central para a sobrevivência física e espiritual da humanidade - a busca de uma ética para a civilização tecnológica.
As bombas atômicas e suas conseqüências foram, no entender de Hans Jonas, o que “pôs em marcha o pensamento em direção a um novo tipo de questionamento, amadurecido pelo perigo que representa para nós próprios o nosso poder, o poder do homem sobre a Natureza”. Percebeu também que, além do choque agudo sofrido, se iniciaria uma crise crônica e gradual decorrente do perigo crescente dos riscos do progresso da tecnociência e seu uso perverso.
Kant dizia: “Aja de tal forma que você possa querer também que a sua máxima se converta em lei universal”. O “poder querer” pressupõe não uma moral, mas que seres dotados de razão e capacidade de ação a pensem sem autocontradição, logo, com perfeita concordância e harmonia lógica, podendo ser aplicada universalmente à comunidade.
Hans Jonas, tendo Kant por referência, apresenta imperativos para o novo tipo de ações em reflexão:
“Aja de tal modo que os efeitos da sua ação sejam compatíveis com a permanência duma vida humana autêntica na Terra”
ou
“Aja de tal modo que os efeitos da sua ação não sejam destrutivos para a futura possibilidade dessa Vida”
ou
“ Inclua nas suas escolhas do presente, o desejo de também querer , a futura integridade do Homem”
ou
“Não ponha  em perigo as condições da continuidade indefinida da Humanidade na Terra”

Aqui também não há contradição racional: “pode-se querer” o bem presente sacrificando o futuro; “pode-se querer” o próprio fim… mas no quarto imperativo propõe-se e apresenta-se que: não nos é tirada a legitimidade de arriscar a própria vida mas não nos é lícito arriscar a vida da Humanidade!
Mas será que existe uma obrigação para com aqueles que ainda não existem e, não existindo, nem sequer podem exigir ou têm direito a exigir uma existência?!
Não é fácil justificar teoricamente e talvez até seja impossível fazê-lo sem recurso à metafísica.
Porquê “homens no futuro”? Na visão da ética clássica e antropocêntrica, temos o interesse (e obrigação) moral de defesa e manutenção da espécie humana, o que remete para teses éticas indemonstráveis: no futuro deverá haver sempre um mundo apto para que o homem o habite e que a humanidade sempre seja digna desse nome; a existência de um mundo é melhor que a sua inexistência. Parte-se, então, deste axioma.
Voltando ao imperativo categórico de Kant, sendo dirigido ao indivíduo e ao instantâneo (visão antropocêntrica), este convida a pensar no que poderia acontecer se a “máxima” da nossa ação atual se convertesse em princípio de uma legislação universal. Mas este “novo tipo” de ações e suas conseqüências não estão contempladas. Além disso, o princípio não é o da responsabilidade objetiva mas subjetiva e hipotética.
Hans Jonas propõe como “guia de reflexão ética” o próprio perigo que se prevê, possíveis desfechos no futuro, antecipação do impacto planetário, conseqüência na Humanidade, entre outros cenários, que podem orientar os princípios éticos e novos deveres no novo poder. È a chamada “heurística do temor”, isto é, só a previsão da desfiguração e autodestruição do Homem nos ajuda a refletir sobre o que há que preservar e priorizar no Homem, face a tais perigos”, e assumir uma posição ou decisão sobre o que se “possa querer”.
Apenas sabemos o que está em jogo quando sabemos quem está em jogo! E o que está em jogo é: o destino do homem; o conceito que possuímos dele; a sobrevivência física da Humanidade e do planeta; a integridade da sua essência. Tal nos (re) conduzirá ao conceito de responsabilidade, elemento central nesta nova ética.
Só porque temos a capacidade de alterar os modelos atmosféricos em grandes regiões da Terra e criar novas formas de vida, será que temos o direito de fazer tais coisas?
O problema não é o conhecimento por si só, é antes a aplicação que se lhe dá! Logo, a questão que subsiste para o futuro não tem tanto a ver com o desenvolvimento das próprias tecnologias, mas sim com a forma sábia de implementá-las nas nossas vidas.
Logo, esta nova ética, além de RESPONSABILIDADE, exige, SABEDORIA, CONHECIMENTO e HUMILDADE.

criado por jrrsanchez    19:10:38 — Arquivado em: Sem categoria

Princípio Responsabilidade Hans Jonas Parte 2

 

A inevitável dimensão universal da tecnologia moderna faz com que se reduza cada vez mais a distância saudável entre os desejos cotidianos e os fins últimos, entre as ocasiões de exercer a prudência usual e de exercer uma sabedoria iluminada. Dado que atualmente vivemos sob um utopismo incorporado em nós, automático, exige-se uma maior sabedoria na decisão e ação.
Por outro lado, e assumindo que não se detém o saber preditivo, reconhece-se a nossa ignorância (apesar de muitas especulações e algumas certezas) acerca das conseqüências das ações humanas, designadamente, do foro ético. Reconhece-se, ainda, a possível irreversibilidade. Assim, é exigido conhecimento (know-how com apoio científico, inclusive) pois a nova ética deverá ser uma “ética informada” e exigente quanto às suas fontes. É recomendado que o novo paradigma integre a vigilância do nosso desmesurado poder, sua monitorizarão e atualização de conhecimentos… só assim procederá a orientações dotadas de propriedade e adequação.
Acresce-se, por fim, a solicitação duma nova classe de humildade, não devida à nossa insignificância (como no passado), mas devido à excessiva magnitude do poder da técnica ao serviço do Homem, ou seja, desproporção entre capacidade de fazer relativamente à capacidade de prever e valorizar ou julgar.
A ignorância das conseqüências finais será em si mesma uma razão suficiente para a moderação responsável, que implicará o exercício da sabedoria e a necessidade da humildade.
E o bem da Natureza de per-se? A responsabilidade do Homem não deverá ir além de si próprio, sob pena de se tratar de mero interesse utilitário? Obviamente que sim! Estando a Natureza à mercê do Homem é passível de ser alterada radicalmente, este passa a manter com ela uma relação também de responsabilidade. Daí que a nova ética de Hans Jonas inclua a Natureza e a Ecologia — Ecoética.
O desenvolvimento do poder científico-tecnológico moderno modificou o caráter da ação humana. O impacto é a nível coletivo e não individual, global e não local, portanto com magnitude incomparável. Logo, estamos perante um cenário de âmbito coletivo, sob a forma de política pública. Do mesmo modo, também a política se vê mudada porque se mudou a essência da ação humana, muda a essência básica da política.
Surge a dúvida sobre a capacidade dos governos representativos para responder adequadamente com os seus princípios e procedimentos habituais a estes novos desafios e exigências. Isto porque o que, regra geral, vem a prevalecer são os “interesses presentes”; é perante o “presente” que se presta contas e não mediante o “abstrato”; o futuro não está representado em nenhum grupo; o que não existe não é um lobby e os não-nascidos não exercem poder; os vindouros não têm peso na decisão atual e no futuro não será feita a cobrança porque nós já não estaremos cá.
Então que força deve representar o futuro no presente? Eis o que é preciso estabelecer no sistema de deveres e direitos.
O novo imperativo de Hans Jonas dirige-se essencialmente à política pública e tem em vista o prazo longínquo. Apela a outro tipo de concordância: não à das ações no imediato, mas à dos efeitos últimos da continuidade da atividade humana, no futuro. A universalização não é hipotética (se eu, se nós…), mas antes remetida ao todo coletivo, atendendo à medida real da sua concretização.
Efetivamente, estas teorias que apontam para o futuro, exigem aplicação no presente (tempo fundamental para decidir o futuro nos seus vários prazos). São protagonistas fundamentais os legisladores e governantes. A aspiração do legislador deverá ser o estabelecimento duma forma política viável, e a prova da sua viabilidade radica na sua duração – inalterada quanto possível – deste que foi criada. O melhor Estado é também aquele que promove e zela o melhor para o futuro.

Se atentarmos ao fato que outros sonhos utópicos da humanidade se concretizaram, e considerando o que está em causa no Princípio da Responsabilidade, esta ética acaba por se configurar como modesta!

Fonte: Ecoética e o Principio da Responsabilidade de Hans Jonas Aplicação à Saúde Pública   -  Portal de Saude Publica-Portugal

criado por jrrsanchez    19:05:10 — Arquivado em: Sem categoria

29.10.07

D. Marisa para Presidenta.Devemos pensar grande

Ainda bem que ela não fala.

Imagine se a CPMF não fosse aprovada e o nosso querido Presidente Lula ficasse sacaneado e decidisse seguir o exemplo de seu colega argentino.

Embora Lula tenha dito e repetido que é contra o seu terceiro mandato alguns parlamentares iniciaram a semana passa movimentação no sentido de testar a tese do terceiro mandato de Lula. Coube ao deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) que é amicíssimo de Lula lançar o balão de ensaio na imprensa. Já ao deputado Carlos Wilson (PTC-MG) coube a tarefa de testar junto aos colegas da Câmara, buscando assinaturas para a construção de uma emenda constitucional que permita o terceiro mandato de Lula.

Diante do quadro o Presidente do STE afirmou: “Só com revolução”.

Nossa primeira dama seria uma alternativa ao PT para continuar seu sonho de se perpetuar no poder. Dona Marisa, nossa Hello Kitty, como não fala, nos pouparia de pérolas como as que somos brindados quase todos os dias por seu marido.

A de hoje foi a sua afirmação que nossos políticos precisam pensar grande e aprovar a CPMF.
Presidente, pensar grande é reduzir a carga de impostos, reduzir o tamanho do estado e torná-lo eficiente. Pensar grande é ter os serviços públicos oferecendo à população o que ela verdadeiramente merece e não o que é prestado hoje. Os serviços  prestados hoje pelo governo, com a maior carga de impostos do mundo são tão ruins que temos que pagar serviços privados para supri-los. Saúde, Educação, Segurança, etc.

Se por um lado, caso a Dona Marisa fosse eleita, ficariamos sem as batatadas de Lula, por outro lado ficaríamos com a imagem ridícula de nossa Hello Kity como a da foto abaixo durante a festa de aniversário de Lula.

Como já dizia o guru: “There is no free lunch”.

criado por jrrsanchez    15:23:33 — Arquivado em: Sem categoria

O Acoplamento Estrutural

Continução dos artigos de 9 e 23 de Outubro

Maturana e Varela observam que o sistema vivo e o meio em que ele vive se modificam de forma congruente. Na sua comparação, o pé está sempre se ajustando ao sapato e vice-versa. É uma boa maneira de dizer que o meio produz mudanças na estrutura dos sistemas, que por sua vez agem sobre ele, alterando-o, numa relação circular. A esse fenômeno, eles deram o nome de acoplamento estrutural. Quando um organismo influencia outro, este replica influindo sobre o primeiro. Ou seja, desenvolve uma conduta compensatória. O primeiro organismo, por sua vez, dá a tréplica, voltando a influenciar o segundo, que por seu turno retruca — e assim por diante, enquanto os dois continuarem em acoplamento.
Mesmo sabendo que cada sistema vivo é determinado a partir de sua estrutura interna, é importante entender que quando um sistema está em acoplamento com outro, num dado momento dessa inter-relação a conduta de um é sempre fonte de respostas compensatórias por parte do outro. Trata-se, pois, de eventos transacionais e recorrentes. Sempre que um sistema influencia outro, este passa por uma mudança de estrutura, por uma deformação. Ao replicar, o influenciado dá ao primeiro uma interpretação de como percebeu essa deformação. Estabelece-se portanto um diálogo. Por outras palavras, forma-se um contexto consensual, no qual os organismos acoplados interagem. Esse interagir é um domínio lingüístico.
Posto de outra forma, nesse âmbito transacional o comportamento de cada organismo corresponde a uma descrição do comportamento do outro: cada um "conta" ao outro como recebeu e interpretou a sua ação. É por isso que se pode dizer que não há competição entre os sistemas naturais. O que existe é cooperação. No entanto, quando à natureza se junta a cultura — como no caso dos seres humanos —, as coisas mudam.
Não existe competição (no sentido predatório do termo) entre os seres vivos não-humanos. Quando o homem chama determinados animais de predadores está antropomorfizando-os, ou seja, projetando neles uma condição que lhe é peculiar. Como não competem entre si, os sistema vivos não-humanos não "ditam" uns aos outros normas de conduta. Mantidas as condições naturais, entre eles não há comandos autoritários nem obediência irrestrita. Os seres vivos são sistemas autônomos, que determinam o seu comportamento a partir de seus próprios referenciais, isto é, a partir de como interpretam as influências que recebem do meio. Se tal não acontecesse, seriam sistemas sujeitados, obedientes a determinações vindas de fora.
No caso das sociedades humanas, em que as condições não são apenas as da natureza, é exatamente isso que o marketing e outros meios de condicionamento de massa tentam (e em boa parte dos casos conseguem) fazer com populações inteiras. É, portanto, possível a produção em grande escala de indivíduos sujeitados, embora para isso os estímulos condicionadores precisem ser amplos e ininterruptos. É o que o psicanalista Félix Guattari chama de produção de subjetividade. Com essa noção ele introduz a idéia de uma subjetividade industrial, fabricada, moldada pelo capitalismo. Trata-se da introdução de gigantescos sistemas de formatação e condicionamento, por meio dos quais o capital (hoje em sua fase de triunfalismo neoliberal) constrói e mantém o seu imenso mercado de poder. É disso mesmo que se trata: transformar artificialmente em sujeitado um sujeito natural. Ou seja, implantar e levar adiante a violência sobre a característica mais básica dos sistemas vivos — a autopoiese.
A noção de que os sistemas são estruturalmente determinados é de fundamental importância para muitas áreas da atividade humana. Na psicoterapia, por exemplo, a transferência e a contratransferência podem ser tomadas como manifestações de acoplamento estrutural, no qual as modificações experimentadas pelo cliente são determinadas por sua estrutura. Não podem, portanto, ser vistas como causadas ou produzidas pelo terapeuta. Por isso, é importante ter sempre em mente que o domínio consensual resultante do acoplamento de sistemas autopoiéticos é um contexto lingüístico — mas não no sentido de mera transmissão de informações de parte a parte.
Fonte:Humberto Mariotti

criado por jrrsanchez    08:14:16 — Arquivado em: Sem categoria

26.10.07

Lula antecipa obras do PAC se for sede da Copa

Enquanto isto o Ministro da Saúde mendiga verbas para a saúde.

O porta-voz da presidência, Marcelo Baumbach, disse na tarde desta sexta-feira que o governo estuda a necessidade de antecipar algumas obras de infra-estrutura no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) caso o Brasil seja escolhido como sede da Copa do Mundo de 2014.
Segundo ele, não há "nada concreto a respeito disso", porque o País ainda não foi oficializado como sede da competição, "mas algumas obras de infra-estrutura que já estão previstas no PAC poderão ser adiantadas. Outras que já estão sendo feitas no contexto do PAC servirão como melhoria da infra-estrutura que vai ajudar na realização da Copa", afirmou o porta-voz.

“Me engana que eu gosto”. A experiência do Pan não foi avaliada e nem vai.

Ainda de acordo com Baumbach, o governo acredita que o retorno dos investimentos que serão feitos para a Copa "corresponderá a várias vezes ao investimento realizado". "O País vai se beneficiar, vai ter impulso adicional com o evento. Haverá geração de empregos de curto e longo prazo. A Copa da Alemanha teve 30 bilhões de expectadores e isso aumenta a visualização internacional do País", argumentou.
Baumbach disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve chegar na manhã de terça-feira, dia 30, em Zurique, e pode fazer parte, à tarde, da apresentação da candidatura do Brasil ao comitê da Fifa. Após o anúncio oficial do Brasil como sede, Lula e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, devem fazer um discurso e conceder uma entrevista.

A festa e o trem da alegria com nosso dinheiro. O destino da CPMF.

A comitiva de Lula será composta pelos ministros do Esporte, Orlando Silva, do Turismo, Marta Suplicy, e das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Apenas o governador Jaques Wagner, da Bahia, pode ir à Suíça no avião presidencial, já que na segunda-feira Lula estará em Salvador. Os demais governadores estão indo a convite da Condeferação Brasileira de Futebol (CBF) e usarão outros meios de transporte.
Segundo o porta-voz, até o momento já confirmaram presença os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves, de São Paulo, José Serra, do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e de Pernambuco, Eduardo Campos.
Fonte: Terra

criado por jrrsanchez    16:30:28 — Arquivado em: Sem categoria

25.10.07

A Opinião dos Candidatos e a CPMF

A quem importa? Só ao Lula, porque lhe convém.

O Lula valorizou a opinião dos potenciais canditados à presidência da Republica nas eleições de 2010, para defender a manutenção da CPMF. Os futuros governantes não querem perder a mamata que o PT tanto combateu.
Nosso Presidente esqueceu que a opinião que realmente deve ser ouvida é da população e a de seus eleitores que lhe deram o mandato. E não há duvidas que a maioria é contra a manutenção da CPFM. A grande parcela da população é favorável a redução do Estado, revisão de suas prioridades e até a extinção do inútil Senado.
Esta noite deverá ser divulgada decisão sobre o país que deverá ser sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. O Brasil é o único candidato. Se ele for como deve ser anunciado como sede pagaremos o mesmo ou muito mais do que foi pago nos jogos Pan 2007. Uma vergonha. Da previsão de gastos do Governo de 300 milhões de reais, acabamos pagando 9 vezes mais. Ou seja aproximadamente 10% da CPMF de um ano.
Que tal sermos realistas e recusarmos ser a sede da Copa de 2014 e dar um exemplo de seriedade fiscal e de gestão?
Muita gente vai mamar até 2014 se isto não for feito. 

criado por jrrsanchez    20:03:29 — Arquivado em: Sem categoria

24.10.07

Os preços dos automóveis no Brasil e ns EUA.

Por que pagamos tão caro?

Fiz uma comparação entre os preços
dos automóveis nos EUA e no Brasil procurando as mesmas marcas e modelos. Vejam:

                                                                                              R$000
                                                                                    US$1.00=R$1.80
Marca e Modelo                                                    EUA                   Brasil

Mercedes C-350                                                       83                        280

Nissan Sentra                                                          34                           83

Nissan Pathfinder                                                      54                         180

Toyota Corolla                                                          32                           76

Toyota RAV4                                                              45                         129

Honda Civic                                                               33                           90

Honda Accord                                                            45                          116

Honda Fit                                                                    29                            58

Ford Fusion                                                                43                             82

Pagamos pelo menos 2 a 3 vezes mais do que os consumidores americanos cuja renda per capita é gigantesacamente maior do que a nossa. Então qual seria a razão? Impostos, taxas, custo de corrupção, dos políticos, etc…

Nós merecemos.

criado por jrrsanchez    11:38:42 — Arquivado em: Sem categoria

23.10.07

Autopoiese Estrutura, Organização e …

 

Determinismo estrutural

A noção de autopoiese já ultrapassou em muito o domínio da biologia. Hoje, ela é utilizada em campos tão diversos como a sociologia, a psicoterapia, a administração, a antropologia, a cultura organizacional e muitos outros. Essa circunstância transformou-a num importante instrumento de investigação da realidade. Há tempos, seus criadores, os cientistas chilenos Humberto Maturana e Francisco Varela, propuseram a seguinte questão: até que ponto a fenomenologia social pode ser considerada uma fenomenologia biológica?  É necessário resumir alguns dos conceitos básicos desenvolvidos por esses dois autores.

Autopoiese

Poiesis é um termo grego que significa produção. Autopoiese quer dizer autoprodução. A palavra surgiu pela primeira vez na literatura internacional em 1974, num artigo publicado por Varela, Maturana e Uribe, para definir os seres vivos como sistemas que produzem continuamente a si mesmos. Esses sistemas são autopoiéticos por definição, porque recompõem continuamente os seus componentes desgastados. Pode-se concluir, portanto, que um sistema autopoiético é ao mesmo tempo produtor e produto.
Para Maturana, o termo "autopoiese" traduz o que ele chamou de "centro da dinâmica constitutiva dos seres vivos". Para exercê-la de modo autônomo, eles precisam recorrer a recursos do meio ambiente. Em outros termos, são ao mesmo tempo autônomos e dependentes. Trata-se, pois, de um paradoxo. Essa condição paradoxal não pode ser adequadamente entendida pelo pensamento linear, para o qual tudo se reduz à binariedade do sim/não, do ou/ou. Diante de seres vivos, coisas ou eventos, o raciocínio linear analisa as partes separadas, sem empenhar-se na busca das relações dinâmicas entre elas. O paradoxo autonomia-dependência dos sistemas vivos é melhor compreendido por um sistema de pensamento que englobe o raciocínio sistêmico (que examina as relações dinâmicas entre as partes) e o linear. Eis o pensamento complexo, modelo proposto por Edgar Morin.
Maturana e Varela utilizaram uma metáfora didática para falar dos sistemas autopoiéticos que vale a pena reproduzir aqui. Para eles, trata-se de máquinas que produzem a si próprias. Nenhuma outra espécie de máquina é capaz de fazer isso: todas elas produzem sempre algo diferente de si mesmas. Sendo os sistemas autopoiéticos a um só tempo produtores e produtos, pode-se também dizer que eles são circulares, ou seja, funcionam em termos de circularidade produtiva. Para Maturana, enquanto não entendermos o caráter sistêmico da célula, não conseguiremos compreender adequadamente os organismos.
Esse entendimento só pode ser satisfatoriamente proporcionado por meio do pensamento complexo. No entanto, vivemos em uma cultura profundamente formatada pelo pensamento linear. Esse fato tem resultado em conseqüências importantes, algumas delas muito graves, como veremos a seguir.

Estrutura, Organização e Determinismo Estrutural


Segundo Maturana e Varela, os seres vivos são determinados por sua estrutura. O que nos acontece num determinado instante depende de nossa estrutura nesse instante. A esse conceito, eles chamam de determinismo estrutural. A estrutura de um sistema é a maneira como seus componentes interconectados interagem sem que mude a organização. Vejamos um exemplo simples, referente a um sistema não-vivo — uma mesa. Ela pode ter seus pés encurtados, alongados ou reposicionados e seu tampo mudado de retangular para circular, sem que isso interfira na sua configuração. O sistema continuará sendo identificado como mesa (isto é, manterá a sua organização), apesar dessas modificações estruturais. No entanto, se desarticularmos os pés e o tampo e os afastarmos, o sistema se desorganizará e deixará de ser uma mesa. Dizemos então que ele se extinguiu. Da mesma forma, num sistema vivo a estrutura muda o tempo todo, o que mostra que ele se adapta às modificações do ambiente, que também são contínuas. Mas a perda da organização (a desarticulação) causaria a sua morte.
A organização é a determinante de definição e a estrutura a determinante operacional. A primeira identifica o sistema, diz como ele está configurado. A segunda mostra como as partes interagem para que ele funcione. O momento em que um sistema se desorganiza é o limite de sua tolerância às mudanças estruturais.
O fato de os sistemas vivos estarem submetidos ao determinismo estrutural não significa que eles sejam previsíveis. Em outras palavras, eles são determinados, mas isso não quer dizer que sejam predeterminados. Com efeito, se sua estrutura muda constantemente e em congruência com as modificações aleatórias do meio, não é possível falar em predeterminação e sim em circularidade. Para evitar dúvidas sobre esse ponto, basta ter sempre em mente este detalhe: aquilo que acontece em um sistema num dado momento depende de sua estrutura nesse momento.
O mundo em que vivemos é o que construímos a partir de nossas percepções, e é nossa estrutura que permite essas percepções. Por conseguinte, nosso mundo é a nossa visão de mundo. Se a realidade que percebemos depende da nossa estrutura — que é individual —, existem tantas realidades quantas pessoas percebedoras. Eis porque o chamado conhecimento puramente objetivo é inviável: o observador não é separado dos fenômenos que observa. Se somos determinados pelo modo como se interligam e funcionam as partes de que somos feitos (ou seja, pela nossa estrutura), o ambiente só desencadeia em nós o que essa estrutura permite. Um gato percebe o mundo e interage com ele de acordo com sua estrutura de gato, jamais com uma configuração que não tem, como a de um ser humano, por exemplo. Não vemos um rato da mesma forma que o vê um gato.
Assim, não podemos afirmar que existe a objetividade da qual tanto nos orgulhamos. Para Maturana, quando alguém diz que está sendo objetivo, na realidade está afirmando que tem acesso a uma forma privilegiada de ver o mundo e que esse privilégio lhe confere alguma autoridade, que pressupõe a submissão de quem não é objetivo. Essa é uma das bases da chamada argumentação lógica.
Nossos condicionamentos nos levaram a ver o mundo como um objeto. Imaginamos que estamos separados dele. E vamos mais longe: por meio do ego, achamos que somos observadores afastados até de nós mesmos. Para que possamos exercer essa suposta objetividade, é necessário que estabeleçamos uma fronteira, uma divisão entre o ego e o mundo e também entre o ego e o restante de nossa totalidade. Dessa forma, dividimo-nos. E se nos tornamos divididos, o mesmo acontecerá ao nosso conhecimento, que por isso resultará limitado.
Eis o que conseguimos, com nossa pretensa objetividade: uma visão de mundo fragmentada e restrita. É a partir dela que nos imaginamos autorizados a julgar e condenar a "não-objetividade" e a "intuitividade" de quem não concorda conosco. Em outras palavras, a partir de uma visão dividida e limitada, pretendemos chegar à verdade e mostrá-la aos outros — uma verdade que julgamos ser a mesma para todos.

Fonte: HUMBERTO MARIOTTI

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22.10.07

Os contrastes entre a aeronáutica e a marinha

Na aeronáutica…

Em depoimento sigiloso na Câmara dos Deputados na terça(19) da semana passada, o Cmte da Aeronáutica , Brigadeiro Saito afirmou que apenas 37% da frota da FAB está em condições de uso. A frota é composta de 719 aeronaves e apenas 267 estão em operação. Provavelmente uma parcela significativa destas estejam alocadas para uso da Presidência da Republica e de outras autoridades.
A frota esta sucateada por falta de verbas, mas o estado dos equipamentos de controle de trafego aéreo não foi informado.
A renovação da frota (se ela ocorrer) será de muito longo prazo em função do valor dos investimentos necessários. Como o contingente militar da aeronáutica deve ter sido dimensionado considerando a operação total da frota é de se esperar
que este fosse reduzido para refletir o nível atual de apenas 37%.
A penúria da aeronáutica nos faz questionar se o que e como está sendo feito com a frota disponível justifica a existência da aeronáutica.

Na marinha…

O Distrito Naval do Rio de Janeiro em menos de quatro meses publicou novo edital para a compra de 10.000 litros de bebidas alcoólicas incluindo uísque escocês, vinho chileno, cachaça e cerveja. As compras incluirão também salgadinhos; batatas chips importadas, castanhas, pistache entre outros.
Que festa! E com certeza nós que estamos pagando a conta nem seremos convidados.
Só para constar: é razoável considerar que a situação e dificuldades encontradas pela aeronáutica para manter ou renovar a frota devem ser as mesmas encontradas pela marinha.
“First things first” diria o filósofo.

Falta de governo. O Presidente Lula que é o Cmte em Chefe das Forças Armadas, nada sabe nada vê e nada fará, como sempre.
Por sua vez o Ministro da Defesa (aquele, que anunciou varias medidas de impacto para combater o caos aéreo e que até agora, nada foi feito ou já voltaram ao que era) “Jim Jobim das Selvas” continua pegando cobras no interior da Amazônia (está de mal com o chefe).

criado por jrrsanchez    10:13:08 — Arquivado em: Sem categoria

19.10.07

Tem cisco na Cisco

Resultado da corrupção e impunidade instaladas no governo.

Nos jornais de hoje esta sendo veiculado um “Comunicado ao Publico” da Cisco Systems. Ele tem o objetivo de prestar esclarecimentos sobre as investigações feitas pela PF que levou a prisão o Presidente e ex-presidente da Cisco no Brasil, além de outras dezenas de envolvidos.. Eles são acusados de sonegar R$1.5Bilhão em impostos nos últimos cinco anos.
O conteúdo do “Comunicado ao Publico” menciona a ética, “integridade”, “transparência”, “obediência às leis” como valores seguidos pela empresa, blá, blá, blá.
A responsabilidade da empresa não se limita a listar estes valores em “banners” (ou em comunicados) no hall de entrada de suas instalações. Todas elas são responsáveis que todos os seus funcionários os sigam. Do “chairman” ao funcionário do chão de fabrica.
O “comunicado” é exemplo. A assinatura Cisco Systems não indica se esta sendo assinada pela corporação ou pela filial brasileira. Faltou transparência e compromisso.
Parece proposital que a Cisco Corp procure se distanciar de sua filial brasileira. Ela procura minimizar a importância do mercado brasileiro aos negócios globais. O Brasil representaria apenas 1% do faturamento total de US$65 bilhões. Como se ética e integridade dependesse do tamanho do negócio. Ou se é ético e integro ou não é.
Este discurso é típico de quem esta querendo se proteger (“to cover the ass”) contra punições do mercado, dos acionistas e mesmo da Nasdaq.
O nível de corrupção e impunidade considerada normal em nosso país já foi assimilada pelos “gringos”.

O Mr. Mark Smith, Diretor-Gerente para assuntos do hemisfério ocidental da Câmara de Comercio dos EUA disse que: “subfaturamento de importações é muito comum no Brasil, há uma série de questões estruturais que criam ambiente propício para as pessoas fazerem isto no País a carga tributária é pesada e as tarifas de importação são altas”.
O Sr. Smith deve ter tido em mente a facilidade oferecida por servidores públicos (auditores fiscais e agentes da receita federal neste caso) seguindo os exemplos de autoridades de primeiro escalão.
De qualquer forma onde existem corruptos existem corruptores. Não é admissível que uma empresa do tamanho e estrutura da Cisco ter praticas de gestão como as que estão sendo apontadas. E mais, dizer que não exporta diretamente para o Brasil e que o faz através de representantes. Como se isto os inocente. Os códigos de ética e conduta de todas as empresas americanas se aplicam também a fornecedores e representantes.
Alem das irregularidades na exportação, a maior parcela da remuneração dos principais executivos da filial brasileira era paga através de contrato de prestação de serviços de PJ’s deles mesmos. Com isto os executivos pagavam menos impostos assim como a Cisco. Não há como negar estas irregularidades.
O que se espera é que a filial brasileira e seus responsáveis assim como a Cisco Global e seus responsáveis sejam devidamente punidos pelas autoridades brasileiras assim como pela Nasdaq e outras autoridades americanas.

E do nosso governo e autoridades espera-se que deixem de fazer escola e deixem também de dar exemplos de corrupção e impunidade.

criado por jrrsanchez    13:17:55 — Arquivado em: Sem categoria

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