30.10.07
PrincÃpio Responsabilidade Hans Jonas Parte 1
“Podemos arriscar a nossa vida mas não a da humanidade"
Aluno de Heidegger e Bultmann, amigo e colega de Hannah Arendt na New School for Social Research, Hans Jonas (1903-1993) foi um dos proeminentes pensadores da sua geração devido à convicção da inseparabilidade de ética e metafísica, e da realidade dos valores no centro do ser. Seu livro “Principio da responsabilidade” (The Imperative of Responsibility: In Search of Ethics for the Technological Age) publicado em 1979 já antecipava um tema central para a sobrevivência física e espiritual da humanidade - a busca de uma ética para a civilização tecnológica.
As bombas atômicas e suas conseqüências foram, no entender de Hans Jonas, o que “pôs em marcha o pensamento em direção a um novo tipo de questionamento, amadurecido pelo perigo que representa para nós próprios o nosso poder, o poder do homem sobre a Natureza”. Percebeu também que, além do choque agudo sofrido, se iniciaria uma crise crônica e gradual decorrente do perigo crescente dos riscos do progresso da tecnociência e seu uso perverso.
Kant dizia: “Aja de tal forma que você possa querer também que a sua máxima se converta em lei universal”. O “poder querer” pressupõe não uma moral, mas que seres dotados de razão e capacidade de ação a pensem sem autocontradição, logo, com perfeita concordância e harmonia lógica, podendo ser aplicada universalmente à comunidade.
Hans Jonas, tendo Kant por referência, apresenta imperativos para o novo tipo de ações em reflexão:
“Aja de tal modo que os efeitos da sua ação sejam compatíveis com a permanência duma vida humana autêntica na Terra”
ou
“Aja de tal modo que os efeitos da sua ação não sejam destrutivos para a futura possibilidade dessa Vida”
ou
“ Inclua nas suas escolhas do presente, o desejo de também querer , a futura integridade do Homem”
ou
“Não ponha em perigo as condições da continuidade indefinida da Humanidade na Terra”
Aqui também não há contradição racional: “pode-se querer” o bem presente sacrificando o futuro; “pode-se querer” o próprio fim… mas no quarto imperativo propõe-se e apresenta-se que: não nos é tirada a legitimidade de arriscar a própria vida mas não nos é lícito arriscar a vida da Humanidade!
Mas será que existe uma obrigação para com aqueles que ainda não existem e, não existindo, nem sequer podem exigir ou têm direito a exigir uma existência?!
Não é fácil justificar teoricamente e talvez até seja impossível fazê-lo sem recurso à metafísica.
Porquê “homens no futuro”? Na visão da ética clássica e antropocêntrica, temos o interesse (e obrigação) moral de defesa e manutenção da espécie humana, o que remete para teses éticas indemonstráveis: no futuro deverá haver sempre um mundo apto para que o homem o habite e que a humanidade sempre seja digna desse nome; a existência de um mundo é melhor que a sua inexistência. Parte-se, então, deste axioma.
Voltando ao imperativo categórico de Kant, sendo dirigido ao indivíduo e ao instantâneo (visão antropocêntrica), este convida a pensar no que poderia acontecer se a “máxima” da nossa ação atual se convertesse em princípio de uma legislação universal. Mas este “novo tipo” de ações e suas conseqüências não estão contempladas. Além disso, o princípio não é o da responsabilidade objetiva mas subjetiva e hipotética.
Hans Jonas propõe como “guia de reflexão ética” o próprio perigo que se prevê, possíveis desfechos no futuro, antecipação do impacto planetário, conseqüência na Humanidade, entre outros cenários, que podem orientar os princípios éticos e novos deveres no novo poder. È a chamada “heurística do temor”, isto é, só a previsão da desfiguração e autodestruição do Homem nos ajuda a refletir sobre o que há que preservar e priorizar no Homem, face a tais perigos”, e assumir uma posição ou decisão sobre o que se “possa querer”.
Apenas sabemos o que está em jogo quando sabemos quem está em jogo! E o que está em jogo é: o destino do homem; o conceito que possuímos dele; a sobrevivência física da Humanidade e do planeta; a integridade da sua essência. Tal nos (re) conduzirá ao conceito de responsabilidade, elemento central nesta nova ética.
Só porque temos a capacidade de alterar os modelos atmosféricos em grandes regiões da Terra e criar novas formas de vida, será que temos o direito de fazer tais coisas?
O problema não é o conhecimento por si só, é antes a aplicação que se lhe dá! Logo, a questão que subsiste para o futuro não tem tanto a ver com o desenvolvimento das próprias tecnologias, mas sim com a forma sábia de implementá-las nas nossas vidas.
Logo, esta nova ética, além de RESPONSABILIDADE, exige, SABEDORIA, CONHECIMENTO e HUMILDADE.


criado por jrrsanchez
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