Coluna do José Roberto

análises e comentários sobre temas da atualidade e sobre filosofia contemporânea por José Roberto Ramos Sanchez

29.8.07

Os riscos políticos de não sair do palanque

Os riscos políticos de não sair do palanque não se limitam somente a vaias.

 

Temos acompanhado os recentes e freqüentes discursos de nosso Presidente. Além de fazer doer os ouvidos de tantos erros e falta de conteúdo, os discursos continuam sendo de um candidato, mesmo estando em seu segundo mandato.

É impressionante a capacidade de nosso Presidente em aceitar erros. Os próprios e o de sua equipe. É também impressionante a capacidade de nosso Presidente em se excluir de tudo aquilo que deveria ter sido feito e não foi, assim como, de tudo aquilo que não deveria ter sido e foi.

O conteúdo das falas Presidenciais é de um candidato e um candidato sem partido e de um partido sem candidato.

A freqüência e o conteúdo de suas falas em defesa dos mais pobres estão transformando seu perfil cada vez mais parecido com o dos “velhos coronéis” nordestinos.

Dar pão (as bolsas) e circo (palanques e discursos) estão fazendo com que nosso Presidente esteja ficando cada vez mais afastado dos outros segmentos da sociedade e também do processo político.

O falar e não fazer é pior do que só não fazer.

Qual é data (e hora) que será encerrada a atrapalhada aérea?
E quanto a disponibilização de recursos, cronogramas e implantação dos PAC’s?
E quanto à transformação do país num canteiro de obras?

Talvez tenham sido muitas viagens para promover etanol e cachaça, ou mesmo o esforço para garantir recursos públicos para a candidatura do Brasil para ser sede da copa do mundo(Projeto prioritário? Para quem? Por que?) de 2014. Ou ainda a criação de cargos comissionados (de confiança e sem concurso) com bom salários e reajustá-los bondosamente além de seu impacto positivo no caixa do partido(s) através dos dízimos adicionais que eles geram.

Só lembrando, este dizimo é pago atravez do nosso pagamento de impostos e taxas já que esta é fonte para o pagamento da folha do funcionalismo.

Chame o PGR!

criado por jrrsanchez    13:05:55 — Arquivado em: Sem categoria

28.8.07

Só faltou o Ali Babá.

O PGR e STF fizeram sua parte.

A ministra Ellen Gracie encerrou às 17h47 desta terça-feira (28) o julgamento mais longo da história do Supremo Tribunal Federal, realizado em cinco dias. Foram mais de 30 horas, declarou a própria presidente do Supremo.
Ellen Gracie, proclamou o resultado final do julgamento da denúncia do mensalão apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Foram lidos os nomes de cada um dos 40 réus e os crimes pelos quais serão processados.

Temos que ir até o fim e exigir o dinheiro de volta.

criado por jrrsanchez    18:04:34 — Arquivado em: Sem categoria

25.8.07

O Ministro Mantega defende a arrecadação, mas,…

Quem defende a necessidade, a prioridade, e o seu bom uso?


Não foi surpresa a declaração de ontem do Ministro Mantega dizendo-se preocupado com a não a aprovação da manutenção da CPMF.
Segundo ele se isto ocorrer, haveria a possibilidade de redução orçamentária, incluindo a do Ministério da Saúde, o que poderia agravar situações como aquelas que estão sendo vividas no nordeste.
Além disto, segundo ele a arrecadação da CPMF é equivalente à metade do superávit primário.

Chantagem ou extorsão emocional?

Como governante, o Ministro diante da mobilização contrária da sociedade deveria estar liderando esforços para uma redução e organização do tamanho do estado visando a busca de sua eficiência.

O Sr. Ministro bem sabe que com uma das maiores cargas de impostos do mundo (tax load) de mais de 35% do PIB o problema não esta na arrecadação. Esta no gasto e seu uso.

Que tal eliminar as famosas emendas orçamentárias? Aquelas que são a felicidade de parlamentares e construtoras.

Quanto ao superávit primário ele deveria ser decorrência da eficiência de gestão e não de maior arrecadação.

Mas, como dizia o velho guru é melhor ouvir isto do que ser surdo.

Ministro, não subestime nossos neurônios.

criado por jrrsanchez    19:10:59 — Arquivado em: Sem categoria

24.8.07

Atenção e Cuidado

Relator rejeitou nesta tarde a primeira das acusações contra Dirceu

O relator da denúncia do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, rejeitou a primeira das acusações contra o ex-ministro José Dirceu, por crime de peculato, feita pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza. Barbosa também excluiu dessa parte da denúncia os ex-dirigentes do PT José Genoíno, Delúbio Soares e Silvio Pereira. Os ministros do STF concordaram com o voto do relator.

criado por jrrsanchez    17:51:30 — Arquivado em: Sem categoria

Eram duas as semelhanças, sobrou uma.

A Dra. Denise de Abreu e o Senador Renan Calheiros tinham duas semelhanças em comum:

Cara de pau e a recusa em renunciar a seus cargos. Sobrou uma.

A Dra. Denise insistiu até o fim negando (entre outros fatos), que entregou um documento sem validade à justiça a favor da liberação da pista de Congonhas. Segundo a justiça o documento justificou a liberação da pista. Alem disto, sete meses antes da tragédia com o avião da TAM, tinha exata noção dos perigos da pista, conforme documento publicado pela imprensa.

Esta tarde tomou a decisão que já deveria ter tomado, renunciou.

O Senador Renan Calheiros continua negando (entre outras) as acusações, apesar do relatório da Policia Federal demonstrar inconsistências nas informações que entregou ao Senado. Ele sustenta que o empréstimo cedido por um laranja não foi declarado por razões de “discrição” e que seu motorista retirava “pequenas quantias para pequenas despesas”

Esta manhã ele agradeceu a paciência do povo brasileiro para com ele. Não me agradeça.

Senador, fique também apenas com a cara de pau, volte para Alagoas.

O Brasil precisa caminhar. 

criado por jrrsanchez    17:46:25 — Arquivado em: Sem categoria

22.8.07

A presidência de um metalúrgico P3.

Mais perolas de nosso Presidente

Nosso presidente declarou hoje, que sua prioridade é governar para os mais pobres. As várias bolsas confirmam. As mortes,e a falta de assistencia medico-hospitalar dos e para os mais pobres no nordeste começam a demonstrar o que esta acontecendo e, pior, o que vai acontecer.

O presidente jurou em seguir a constituição, que inclui o direito universal à saude.

Ligue a sirene (ambulancia ou de viatura policial?)!

 

criado por jrrsanchez    20:38:51 — Arquivado em: Sem categoria

Hoje é dia do início da Concentração Cívica

Hoje é dia em que o STF começa a julgar o processo de denuncia da Procuradoria-Geral da Republica sobre o esquema do Mensalão.

Veja alguns dos denunciados e as respectivas acusações (Fonte TERRA).

Delúbio Soares (PT-SP) - ex-tesoureiro do PT
Denunciado por formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
É acusado de criar e executar o esquema de financiamento ilegal do PT e de partidos aliados com a participação do publicitário Marcos Valério, fonte do financiamento. Delúbio assumiu a responsabilidade pelo esquema e eximiu de culpa o partido e o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Após o escândalo, se afastou do cargo.
Duda Mendonça - publicitário
Denunciado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas
Publicitário responsável pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, teria recebido, por meio de sua sócia, Zilmar da Silveira, R$ 15,5 milhões das contas de Marcos Valério.
João Magno (PT-MG) - deputado federal
Denunciado por lavagem de dinheiro
Afirmou ter recebido dinheiro de Marcos Valério atendendo orientação de Delúblio Soares, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Foi absolvido pela Comissão de Ética da Câmara
João Paulo Cunha (PT-SP) - ex-presidente da Câmara
Denunciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato
Documentos cedidos pelo Banco Rural mostram que a mulher do deputado sacou R$ 50 mil das contas de Marcos Valério. Cunha é acusado de obter vantagem indevida no exercício da atividade parlamentar, por ter recebido "em proveito próprio" R$ 50 mil da agência de publicidade SMPB, do empresário Marcos Valério, apontado como o operador do esquema do mensalão. Cunha afirma que o saque foi feito a mando de Delúbio Soares e que acreditava que o dinheiro pertencesse ao PT. O deputado paulista foi absolvido pelo plenário da Casa, que impediu a sua cassação. Foi reeleito em 2006
José Dirceu (PT-SP) - ex-ministro da Casa Civil
Denunciado por formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
Acusado pelo ex-deputado petebista Roberto Jefferson de ser o mentor do mensalão. Ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu se afastou do cargo um mês depois das denúncias de Jefferson e reassumiu a sua cadeira na Câmara dos Deputados. Quando deixou o governo, disse que queria se concentrar na sua defesa. Foi um dos poucos condenados pela Comissão de Ética da Câmara e teve os seus direitos políticos suspensos até 2015. A denúncia do Ministério Público aponta Dirceu como um dos principais membros do esquema.
José Genoino (PT-SP) - ex-presidente do PT
Denunciado por formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
O deputado federal e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores foi denunciado por utilizar Marcos Valério como fiador de empréstimos do partido no Banco Rural, BMG e Banco do Brasil. Genoino renunciou à presidência do partido. Também é suspeito no caso dos dólares apreendidos na cueca do assessor do deputado estadual cearense José Guimarães, seu irmão. Se afastou do cargo após o escândalo e se se elegeu deputado federal em 2006.
José Janene (PP-PR) - deputado federal
Denunciado por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Foi acusado por Roberto Jefferson de distribuir o dinheiro oriundo do mensalão para a bancada de seu partido. João Cláudio Genu, seu assessor, informou à Polícia Federal que sacava o dinheiro e o entregava à tesouraria do partido. Absolvido pela Comissão de Ética da Câmara, não disputou a reeleição
Luiz Gushiken (PT-SP) - ex-secretário de Comunicação do governo federal
Denuciado por peculato
Gushiken é acusado de indicar dirigentes para para os fundos de pensão e de favorecimento de uma corretora de seus ex-sócios ligados à área. Deixou o governo no final de 2006.
Marcos Valério de Souza - publicitário
Denunciado por formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
O publicitário é acusado de ser o operador do mensalão e de crimes contra a ordem política, financeira, eleitoral, criminal e fiscal. Além do envolvimento com o mensalão, é acusado de manter esquema semelhante em 1998 com o PSDB. Por meio de empréstimos bancários avalizados pelos contratos de publicidade com o governo, teria financiado a candidatura de políticos tucanos na época. O empresário foi acusado por Jefferson de ser o operador do mensalão. Valério negou envolvimento no esquema, mas assumiu que fez empréstimos ao PT a pedido de Delúbio
Pedro Henry (PP-MT) - deputado federal
Denunciado por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
O deputado é acusado de receber R$ 700 mil por parte do PP. Foi absolvido da acusação de envolvimento no mensalão em votação na Câmara dos Deputados. Foi reeleito em 2006.

Professor Luizinho (PT-SP) - deputado federal
Denunciado por lavagem de dinheiro
Teve um assessor que recebeu R$ 20 mil das contas de Marcos Valério. Como defesa, alegou que o dinheiro foi usado no caixa dois em campanhas para a eleição de vereadores do Partido dos Trabalhadores em São Paulo. Absolvido pela Comissão de Ética da Câmara, foi reeleito em 2006
Roberto Jefferson (PTB-RJ) - deputado federal
Denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro
O deputado federal foi o estopim da crise. Jefferson denunciou o esquema do mensalão após ver seu nome e seu partido - o PTB - envolvidos na gravação em que o ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho aparece recebendo propina. Teve o mandato cassado.
Silvio Pereira - ex-secretário-geral do PT
Denunciado por formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa
O ex-secretário-geral do PT é acusado de intermediar a negociação de cargos e contratos no governo Lula. Silvio Pereira negou a acusação, mas assumiu que ganhou um carro da marca Land Rover do proprietário da empresa GDK - vencedora de uma licitação de US$ 90 milhões junto a Petrobras.

Valdemar Costa Neto (PR-SP, ex-PL) - deputado federal
Denunciado por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Ex-presidente do PL (atual PR), renunciou ao mandato de deputado federal no dia 1º de agosto de 2005, depois de ter o nome envolvido no escândalo do mensalão. Ao renunciar ao cargo, evitou possível cassação do mandato e a conseqüente perda de seus direitos políticos, abrindo caminho para a candidatura nas eleições de 2006, quando se reelegeu.

Para completar os 40:

Anderson Adauto
Antônio Lamas
Anita Leocádia
Ayanna Tenório Tôrres de Jesus
Bispo Rodrigues
Breno Fishberg
Carlos Alberto Quaglia
Cristiano de Mello Paz
Emerson Eloy Palmieri
Enivaldo Quadrado
Geiza Dias dos Santos
Henrique Pizzolato
Jacinto Lamas
João Cláudio Genu
José Luiz Alvez
José Roberto Salgado
José Rodrigues Borba
Kátia Rabello
Paulo Roberto Galvão da Rocha
Pedro da Silva Neto
Vinícius Samarane
Zilmar Fernandes Silveira
Rogério Lanza
Romeu Queiroz
Simone Vasconcelos
Ramon Cardoso

Pelo nosso dinheiro de volta!

criado por jrrsanchez    07:55:12 — Arquivado em: Sem categoria

21.8.07

A presidência de um metalúrgico P2.

As pérolas de nosso Presidente

Lula diz que turbulência externa é "crise de agiotagem"

"Quem tentou especular, quebrou a cara e quem quer ganhar dinheiro sem trabalhar, sempre vai quebrar a cara", afirmou o presidente.

Só precisamos saber se o Lulinha concorda.

criado por jrrsanchez    17:50:10 — Arquivado em: Sem categoria

O custo atualizado para aprovação da CPMF

Dinheiro é dinheiro

Além da tentativa ainda que pálida para a manutenção do Sen. Renan (na presidência e mandato no Senado, cada vez mais difícil), para a manutenção da CPMF até 2011 a 0,38% (a poupança esta rendendo 0,56%) a temporada de barganhas do governo Lula está aberta.

No debate da constitucionalidade da proposta na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, os líderes governistas retomaram o projeto original, que não divide imposto com os Estados e Municípios. O custo disso: o PMDB indicou Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas, o PCdoB ganhou uma diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o PR, uma diretoria no Departamento Nacional de Transportes e PTB ganhou a parada para indicar o novo superintendente da Susep, a entidade que fiscaliza as empresas de seguro. O felizardo é Armando Virgílio dos Santos, presidente da Federação Nacional dos Corretores de Seguros e vice-presidente do partido em Goiás.
Desde os tempos de Roberto Jefferson o PTB tem interesses na área de seguros.
O secretário de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo Costa, um dos raros assessores a falar em nome do governador José Serra, sugere que, em troca da CPMF, o governo federal concorde com a ampliação da participação dos Estados e municípios na receita da Cide, o imposto sobre o combustível, e na eliminação dos PIS-Cofins sobre saneamento. Ontem, em sessão de sete horas da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o governo obteve nova vitória para prorrogar a cobrança da CPMF, o imposto do cheque.

Usando dados oficiais, o repórter Ribamar Oliveira afirmou no Estadão que a CPMF não é essencial para as contas da União. “Mesmo se a CPMF tivesse acabado em 2006, a arrecadação tributária da União no primeiro semestre deste ano teria aumentado R$ 2,8 bilhões, em termos reais, em comparação com igual período do ano passado, segundo dados da Receita Federal”, escreve.

Além disto, como são necessários 3/5 do senado para obter a aprovação, vários senadores já foram sondados pelo governo para entrarem na base de apoio do governo Lula. Alguns preferem aguardar a votação da lei de inegibilidades. Os sondados hoje da oposição como Edison Lobão (DEM-MA), César Borges (DEM-BA), entre outros poderiam se filiar aos governistas PR e PRB (do vice JA).

Exerça sua cidadania envie mensagens ao deputado federal e ao senadores que você elegeu para que eles representem a sua vontade durante as votações.

criado por jrrsanchez    17:38:13 — Arquivado em: Sem categoria

19.8.07

A morte e a vergonha de Congonhas.

 

O post de hoje não foi escrito por mim. É um texto de um jovem jornalista português e foi publicado no jornal de lá chamado Correio da Manhã que eu achei interessante e decidi compartilhar. O texto foi mantido com o portugues de Portugal

A vida é demasiado curta para passarmos o tempo a fingir. Os políticos não sabem mas também morrem.

Pausa. A vida é para ser vivida. E a morte? Vive-se a morte? Na juventude, como dizia o filósofo, pensamos na morte sem a esperar; na velhice, esperamo-la sem nela pensar. Quase todos nós já vimos entes queridos partir. De forma natural ou trágica. Um pai, um tio, uma irmã. Uma irmã que morre deixando uma vida, hoje feita mulher. Amigos ou companheiros de trabalho. São tantos, mas cabem sempre na memória. Fazem-nos falta, deixam-nos saudades. Quanto mais velhos ficamos mais possibilidades existem de lidarmos com a morte.

Com a dos outros até que começamos a sentir que chegou a nossa hora. Há quem despreze a vida e certas sociedades, habituadas a acordar ao lado dos despojos de guerra, cadáveres aos bocados, fomentam o suicídio em defesa daquilo a que chamam nobres causas. É uma questão cultural. As ninfas podem esperar.

Em pleno século XXI ainda assistimos a enforcamentos públicos. Há quem diga que, de entre todos os animais, o mais tolo é o homem. Ou que este está um milímetro acima do macaco, quando não um centímetro abaixo do porco.

No Ocidente, acha-se alguma dignidade na morte, quando não se faz dela um espectáculo mediático, em que todos são muito mais importantes do que o defunto. O egoísmo perante a morte. Ficamos cá, que tragédia! O morto que se lixe. Enterra-se ou é cremado, num ritual de muitas lágrimas e gargalhadas silenciosas.

A vida é demasiado curta para passarmos o tempo a fingir. A hipocrisia choca. Aparecem uns e outros, a lutar entre si pelo protagonismo maior. Na magazinada onde se revêem, quase todos os dias, sentindo o halo insustentável da importância minimalista. Ai se o morto pudesse falar e pôr ordem na folclórica desordem de um Mundo que se vai perdendo na instantaneidade do acto fútil.

Nascemos para morrer. Mas estaremos preparados para encarar a morte? Os pais e os professores alguma vez pensaram nisso para poderem fazer a reflexão, nos momentos certos, com os filhos e os alunos? Entre o drama e a galhofa, pode haver uma despedida sentida mas ao mesmo tempo fraterna, não digo à boa maneira de Ettore Scola, com o seu delicioso ‘I nuovi mostri’, mas com alma, uma grande alma, sinónimo de grandeza de espírito.

Um pároco a mandar calar a irracionalidade ruidosa da ‘assistência’ perante o morto que jaz sem nada poder ouvir. Não se faz. E não se faz o que se fez com Congonhas. Há políticos bivalves que lidam tão bem com a vida como com a morte. Mas um dia eles também hão-de morrer, com a barriga cheia de miséria.

Rui Santos (jornalista / ruimmsantos@netcabo.pt

criado por jrrsanchez    13:44:56 — Arquivado em: Sem categoria

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