Com denúncia de ter desviado R$ 3,1 milhões da Prefeitura de Itapira (SP), já está tudo certo para que o deputado estadual Barros Munhoz (PSDB) seja reeleito presidente da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) nesta terça-feira (15), quando ele disputa a vaga contra o auto apelidadode “grilo falante” deputado Carlos Gianazzi (PSOL), que tem raras chances de romper o acordo que Munhoz costurou para se reeleger.
Munhoz deve ser reconduzido ao comando na Assembleia com a mesma facilidade que conseguiu em 2009, quando levou 92 dos 94 votos possíveis. Assim como agora, o tucano arrancou o apoio até do PT, tradicional rival do PSDB. A principal razão para seu favoritismo é o acordo que há na Assembléia de entregar a presidência da Casa ao partido que elegeu o governador. O perfil conciliador de Munhoz também é lembrado por quem decidiu aderir à sua candidatura.
Munhoz pode até se eleger, mas terá de se explicar muito antes, durante e depois da posse. É que na última sexta-feira (11) a Folha de S.Paulo publicou uma matéria afirmando que o deputado responde na Justiça à acusação de participar do desvio de R$ 3,1 milhões dos cofres da Prefeitura de Itapira (SP), cidade que ele foi prefeito até 2004. Ele também administrou a cidade de 1977 a 1982.
Segundo a notícia, investigações identificaram depósitos feitos em dinheiro na conta do deputado que somam R$ 933 mil. O restante do dinheiro teria sido dividido entre seis de seus auxiliares. Munhoz nega e diz que os promotores que o acusaram têm “motivação política”.
O 48º presidente da Assembleia se envolveu em outra polêmica recentemente, quando foi irônico ao defender o aumento de patrimonioque viram suas contas bancárias dobrarem de tamanho nos últimos quatro anos.
Sobre o caso de Mauro Bragato (PSDB), que teve variação patrimonial de 377,06% entre 2006 e 2010 (de R$ 6.540 para R$ 31.200), o tucano disse que o colega de partido “deve ter trocado uma Variant 78 por um Monza 88″.
Biografia
José Antônio Barros Munhoz - que quer mudar a data de posse dos deputados porque “é ruim começar em 15 de março” - já havia sido deputado outras duas vezes antes de se reeleger no ano passado. Primeiro ele foi deputado nas legislaturas de 1987 e 1994, depois voltou ao cargo em 2006.
O paulistano de Itapira, nascido no dia 26 de outubro de 1944, se formou em direito pela Faculdade do Largo São Francisco (da Universidade de São Paulo) em 1967, atuando como advogando até 1975.
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